Investigação aponta que ração contaminada teria provocado intoxicação e morte dos animais; prejuízo estimado ultrapassa R$ 82 milhões
A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Atalaia. Segundo o Ministério Público, os animais teriam sido intoxicados após o consumo de rações fornecidas pela empresa. O prejuízo estimado para o haras ultrapassa R$ 82,57 milhões, considerando o elevado valor genético dos animais.
De acordo com a investigação, os cavalos apresentaram sintomas graves, incluindo letargia, falta de coordenação motora, caminhada em círculos, cegueira, compressão da cabeça e problemas no fígado antes de morrerem.
Substâncias tóxicas foram identificadas
Análises realizadas no âmbito da investigação apontaram a presença de monocrotalina e alcaloides pirrolizidínicos, substâncias consideradas altamente tóxicas e associadas a plantas do gênero Crotalaria.
Conforme os dados apresentados pelo MPAL, esses elementos teriam chegado à fabricação da ração por meio de resíduo de soja contaminado, material que não deveria ser utilizado na alimentação animal.
Fiscalizações também teriam identificado problemas no armazenamento de matérias-primas, falta de segregação dos insumos, mistura de materiais e ausência de pesagem individualizada durante o processo de produção.
Reclamações começaram em abril de 2025
Ainda segundo os autos, a Nutratta teria recebido as primeiras reclamações relacionadas à morte de animais em 24 de abril de 2025. A investigação interna, entretanto, teria sido iniciada somente algumas semanas depois.
O recolhimento parcial dos produtos ocorreu em 5 de maio de 2025, período em que, segundo o Ministério Público, já havia registros de mortes de animais em diferentes estados brasileiros.
Além dos 80 cavalos mortos no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, o MPAL cita outras 284 mortes de equinos registradas em diferentes estados e relacionadas ao mesmo caso.
MP pede bloqueio de bens
Diante da dimensão do prejuízo, o promotor de Justiça Ary Lages Filho solicitou à Justiça o sequestro e a indisponibilidade de bens da empresa e dos denunciados. A medida inclui imóveis, veículos, ativos financeiros e participações societárias e tem como objetivo garantir recursos para uma eventual reparação dos danos.
O Ministério Público também atribui aos denunciados possíveis crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais e na legislação que trata dos crimes contra as relações de consumo.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça, que deverá decidir sobre o prosseguimento da ação penal. Portanto, os denunciados são considerados acusados, e não condenados, até eventual decisão judicial definitiva.
O caso chama atenção pela dimensão das perdas no Haras Nova Alcatéia, que há décadas trabalha com criação e seleção genética de cavalos Mangalarga Marchador em Atalaia.