Morreu na noite desta terça-feira (1º), aos 83 anos, o ator e diretor Gracindo Júnior, um dos nomes marcantes da televisão, do teatro e do cinema brasileiro. Ele estava em casa, no Rio de Janeiro, ao lado da família. A causa da morte não foi divulgada.
Filho do consagrado Paulo Gracindo, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira e artista profundamente ligado a Alagoas, Gracindo Júnior construiu sua própria trajetória nas artes, embora carregasse no sobrenome uma das mais importantes referências da televisão nacional.
Uma carreira construída entre grandes produções
Gracindo Júnior iniciou sua trajetória artística ainda muito jovem, passando pelo rádio antes de chegar à televisão. Ao longo de décadas, atuou em novelas, séries, filmes e peças de teatro, além de trabalhar como diretor.
Na televisão, participou de produções como O Casarão, O Bem-Amado, O Salvador da Pátria, Mandala e Rei Davi. Em O Casarão, viveu o mesmo personagem que seu pai, Paulo Gracindo, interpretando diferentes fases da vida do personagem — um dos encontros mais simbólicos entre pai e filho na história da teledramaturgia brasileira.
Mas entre seus trabalhos mais lembrados está Dona Beija, novela exibida pela TV Manchete em 1986.
Na trama, Gracindo Júnior interpretou Antônio Sampaio, formando par romântico com Maitê Proença, que viveu a protagonista Ana Jacinta de São José, a Dona Beija. A produção se tornou um dos maiores sucessos da Manchete e marcou a televisão brasileira na década de 1980.
Reencontro com Maitê Proença emocionou fãs
Anos depois de dividirem a cena em Dona Beija, Gracindo Júnior e Maitê Proença voltaram a se encontrar, em um momento muito diferente daquele vivido nos estúdios.
Em julho de 2025, quando o ator já estava afastado das telas e enfrentava limitações de mobilidade, Maitê Proença visitou o amigo em sua casa, no Rio de Janeiro. Gracindo Júnior, então com 82 anos, apareceu nas imagens publicadas pela atriz utilizando uma cadeira de rodas.
O encontro chamou atenção justamente pela demonstração de carinho entre os dois. Maitê, que havia trabalhado com Gracindo em diferentes produções, destacou o bom humor e a lucidez do antigo parceiro de cena, descrevendo o amigo como alguém que ainda demonstrava alegria e afeto.
O reencontro ganhou ainda mais significado diante da despedida do ator, que deixou uma trajetória marcada por grandes personagens e pela continuidade de uma tradição artística iniciada dentro da própria família.
Legado de duas gerações
Com a morte de Gracindo Júnior, a televisão brasileira perde um artista que carregou consigo não apenas o talento, mas também parte da história de uma das famílias mais importantes da dramaturgia nacional.
Filho de Paulo Gracindo, ele não viveu apenas à sombra do pai. Construiu uma carreira própria, atuando e dirigindo em diferentes momentos da televisão brasileira e deixando personagens que permanecem na memória do público.
A trajetória de Gracindo Júnior também mantém viva a ligação entre sua família e Alagoas, especialmente por meio de Paulo Gracindo, que sempre fez questão de reconhecer sua relação com Maceió.
Aos 83 anos, Gracindo Júnior encerra sua trajetória nos palcos e nas telas, mas permanece na memória da televisão brasileira — especialmente entre aqueles que acompanharam personagens como Antônio Sampaio, em Dona Beija, e a parceria histórica com nomes como Maitê Proença e seu próprio pai, Paulo Gracindo.