Jornalista e candidata é assassinada durante campanha no Peru
Por: Everson Felipe
Publicado em 21/9/2026
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A jornalista e candidata ao Governo Regional de Áncash, no Peru, Susy Aponte Polo, conhecida como “La China Polo”, foi assassinada a tiros no sábado, 19 de setembro, enquanto realizava atividades de campanha em um mercado de Caraz.
Ela caminhava acompanhada de integrantes de sua campanha quando foi abordada por um homem armado. Um dos disparos atingiu sua cabeça. Outras pessoas também ficaram feridas.
Susy disputava o Governo Regional de Áncash pelo movimento Socios por Áncash e havia participado, poucos dias antes, de um debate eleitoral organizado pelo Jurado Nacional de Eleições do Peru.
Antes de entrar na disputa eleitoral, Susy já era conhecida em Áncash pelo trabalho jornalístico e pelas denúncias que divulgava em seu programa e nas redes sociais.
Segundo veículos peruanos, ela havia publicado investigações e acusações envolvendo supostas irregularidades e casos de corrupção que atingiam integrantes da Polícia Nacional, Ministério Público e autoridades locais.
Nos dias que antecederam sua morte, a jornalista também havia anunciado novos conteúdos investigativos.
Um dos assuntos que ela pretendia divulgar envolvia Lalo Villa, candidato à Prefeitura de Huaraz pela Alianza para el Progreso, além de questões relacionadas ao gerenciamento da água em Áncash e investigações que, segundo ela, alcançavam outras regiões do país.
Em agosto, ela também havia questionado supostos favorecimentos no Poder Judiciário relacionados a processos envolvendo a apresentadora Magaly Medina.
Ou seja: Susy não chegou à política como uma desconhecida. Ela carregava para a disputa eleitoral uma trajetória marcada por denúncias e confrontos públicos.
“Estão querendo me calar”
O episódio ganha ainda mais peso aconteceu nove dias antes do assassinato.
Em 10 de setembro, Susy publicou um vídeo afirmando que havia recebido ligações telefônicas provenientes de três estabelecimentos penitenciários. Segundo ela, as pessoas que ligaram teriam feito ameaças e informado sobre um suposto plano para atacá-la.
A jornalista afirmou que havia levado as denúncias às autoridades.
Ela também acusou publicamente o general da Polícia Nacional do Peru Víctor Revoredo Farfán, então chefe da Direção de Investigação Criminal (Dirincri), de estar relacionado ao suposto plano.
As acusações eram feitas por Susy, e não estão comprovadas como fato. Até o momento, as autoridades investigam se existe alguma relação entre essas denúncias e o assassinato.
Ela também afirmava estar investigando aquilo que classificava como uma suposta estrutura criminosa e citava integrantes das forças de segurança. Novamente, são acusações feitas publicamente pela própria jornalista e que precisam ser comprovadas pelas autoridades.
É justamente nesse ponto que o caso se torna ainda mais grave.
Ela dizia estar ameaçada. Denunciou publicamente as ameaças. E nove dias depois foi assassinada durante sua campanha.
O homem preso com a arma
Após o ataque, a Polícia peruana prendeu Luis Iván Obispo Díaz, cidadão venezuelano apontado preliminarmente como o possível autor material dos disparos.
Segundo as autoridades, uma pistola foi encontrada com ele.
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Outro suspeito, Ronald José Toro Artila, também foi detido. Posteriormente, o procurador-geral Tomás Gálvez informou que havia um terceiro envolvido sendo investigado, relacionado ao transporte do suposto executor.
E existe um detalhe que aumentou ainda mais a complexidade do caso.
Segundo informações divulgadas pela imprensa peruana, a pistola apreendida com o principal suspeito teria sido registrada como roubada da residência de um policial em Lima, em 2023. A informação ainda faz parte da investigação e não significa, por si só, que o policial tenha qualquer participação no assassinato.
Agora, a pergunta das autoridades não é apenas quem apertou o gatilho.
É preciso descobrir quem forneceu a arma, quem contratou o ataque, quem financiou e, principalmente, se alguém ordenou a morte da candidata.
De feminicídio a possível sicariato
Inicialmente, o caso foi tratado pela "Fiscalía" como possível feminicídio.
Mas o rumo da investigação mudou.
A Segunda Fiscalía Provincial Penal Corporativa de Huaylas passou a investigar o crime como possível sicariato, expressão utilizada no Peru para assassinato cometido por encomenda ou mediante pagamento.
O próprio procurador-geral afirmou que existem diferentes linhas de investigação para descobrir quem poderia ter ordenado o assassinato.
Isso não significa que o mandante já tenha sido identificado ou que as denúncias feitas por Susy antes de morrer tenham sido confirmadas.
Mas significa que a investigação passou a considerar a possibilidade de que o homem que atirou possa não ser o último elo dessa história.
Não cabe à imprensa condenar antecipadamente quem foi acusado por Susy, assim como não cabe transformar um suspeito preso em culpado antes do julgamento.
Cabe perguntar.
Quem queria a morte de Susy Aponte?
Por que ela vinha denunciando que estava sendo ameaçada?
Quem colocou nas mãos do atirador a arma utilizada no crime?
Havia um mandante?
As denúncias feitas por ela antes de morrer têm alguma relação com o assassinato?
E talvez a pergunta mais incômoda:
O que acontece com uma sociedade quando denunciar possíveis esquemas de corrupção passa a representar um risco de vida?
Por enquanto, o que existe são suspeitos, hipóteses e investigações em andamento.
Mas uma coisa já é concreta: Susy Aponte Polo morreu enquanto fazia campanha para governar Áncash, depois de ter denunciado publicamente que estava sendo ameaçada.
E agora cabe às autoridades responder à pergunta que ficou depois dos disparos: