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A TV Gazeta de Alagoas chega aos 51 anos neste domingo (27) em um momento que certamente entrará para a história da televisão alagoana. Pela primeira vez desde sua fundação, em 1975, a emissora comemora seu aniversário sem ser afiliada à Rede Globo.
É uma coincidência simbólica: no aniversário de 50 anos, a Gazeta ainda estava ligada à maior rede de televisão do país. Poucas horas depois, porém, a relação que atravessou cinco décadas chegaria ao fim.
Em setembro de 2025, após uma disputa judicial, a TV Gazeta deixou de transmitir a programação nacional da Globo, na Tarde do Sábado 27 de Setembro, exibiu por fim a Escolinha do Professor Raimundo, em seguida entrou a programação Local mesmo sem ter acesso ao espelho (Programação Interna) da Rede, enquanto a TV Asa Branca assumiu a afiliação da rede em Alagoas desde a 00h daquele dia.
A partir daquele momento, a Gazeta precisou descobrir, praticamente da noite para o dia, como seria existir sem novelas, Jornal Nacional, Fantástico, futebol e toda a grade nacional que durante décadas ajudou a formar sua programação e assegurar sua liderança em audiência.
Um ano depois, a pergunta já não é mais se a Gazeta consegue sobreviver sem a Globo. Ela conseguiu.
A pergunta mais importante é outra: que televisão a Gazeta quer ser daqui para frente?
O acerto mais evidente: apostar em Alagoas
A principal resposta encontrada pela emissora foi ampliar aquilo que já fazia parte de sua história: o conteúdo regional.
Atualmente, a programação da TV Gazeta é praticamente toda voltada para Alagoas, com produtos como Bom Dia Alagoas, AL1, AL2, Edição das Cinco, Edição das Nove, Gazeta Esporte e programas de entretenimento, além de Especiais como Central das Eleições e debates. A emissora também sempre lembra que tem cobertura dos 102 municípios alagoanos e que está na parabólica, além da Programação no YouTube, muito diferente de outrora, quando Globo.
E aqui existe um ponto que merece reconhecimento.
Sem a Globo, a Gazeta ganhou liberdade para ocupar mais espaço com assuntos que dificilmente teriam o mesmo tempo em uma grade de afiliada.
O esporte é um exemplo.
O Gazeta Esporte ganhou mais espaço, com reportagens, entradas ao vivo e acompanhamento dos clubes alagoanos. A emissora também passou a investir em transmissões de futebol em parceria com o Metrópoles, inclusive com partidas envolvendo equipes de Alagoas.
Essa é uma direção que faz sentido para uma televisão regional: aquilo que é produzido em Alagoas precisa ser prioridade.
Mas independência não significa simplesmente preencher horários
Durante décadas, a programação da Gazeta estava inserida em uma estrutura nacional pronta. Quando a Globo saiu, surgiu um espaço gigantesco na grade. a emissora precisou preencher esse espaço rapidamente.
E o primeiro ano mostrou que produzir muitas horas de televisão local não é necessariamente o mesmo que construir uma programação local forte. Existe uma diferença importante entre quantidade de conteúdo e identidade de programação.
Uma televisão regional precisa ter programas que o público procure porque gosta deles, e não apenas porque são a alternativa disponível naquele horário.
A Gazeta já possui marcas, profissionais e memória suficientes para construir isso. O desafio agora é transformar esses elementos em uma grade mais diversificada. a falecida TV Mar tem muito o que ensinar em se tratando de programação interessante pra ser ressuscitada no Entretenimento da TV Gazeta, bem como outros icônicos da Própria ex-filial Global, Né, Terra e Mar!
O jornalismo continua sendo o grande patrimônio
Se existe uma área em que a Gazeta possui uma vantagem construída ao longo de décadas, é o jornalismo, mesmo após perder o Icônico Gilvan Nunes e outros que debandaram pra Asa Branca a emissora ainda tem profissionais experientes, estrutura de reportagem e presença em diferentes regiões do estado.
Mas há espaço para avançar.
Uma televisão verdadeiramente estadual não pode ter como centro de gravidade quase permanente Maceió e sua região metropolitana.
O interior precisa aparecer não apenas quando ocorre uma tragédia, uma operação policial, um acidente ou um grande evento.
Alagoas é muito maior que Maceió.
Uma programação mais distribuída poderia criar espaços fixos para o Sertão, Agreste, Zona da Mata, Litoral e Baixo São Francisco, com correspondentes, entrevistas, cultura, economia, agricultura, turismo e histórias de personagens.
Isso transformaria a promessa de cobertura estadual em uma experiência realmente estadual.
Entretenimento: talvez o maior desafio
A emissora destaca programas como Pra Você e Sabadão, além de conteúdos relacionados a artistas, eventos, empreendedores, tendências e redes sociais. mas alguns tem temas esgotados e alguns dias até desinteressantes pra entreter tem que melhorar.
Mas são iniciativas importantes, só que existe uma questão que a Gazeta precisa enfrentar: o entretenimento regional precisa deixar de parecer apenas uma extensão do jornalismo, o público também quer diversão real, e pensar que um dia a mesma já teve programa de Auditório com Pell Marques e seu Show do 7 lá nos anos 80.
A audiência quer música. Quer humor. Quer cultura popular. Quer programas de auditório. Quer descobrir artistas alagoanos. Quer acompanhar histórias curiosas. Quer participar.
Quer ligar para a televisão, mandar mensagem, aparecer na tela e sentir que faz parte daquele programa.
A televisão aberta brasileira construiu audiência durante décadas justamente por essa capacidade de criar hábito.
Se a Gazeta pretende ser uma televisão independente, precisa criar programas que tenham personalidade própria.
A emissora precisa olhar mais para as redes sociais
Esse talvez seja um dos maiores pontos de transformação, ainda seguindo a Cartilha da Globo a única entrada foi no YouTube só que mais pra substituir o Globoplay, mas televisão deixou de ser apenas televisão.
O telespectador hoje está no Instagram, TikTok, YouTube, WhatsApp e outras plataformas.. não só marcar presença é importante uma maior interação que tal produzir conteúdo pensado para cada plataforma, uma reportagem de televisão pode virar um vídeo curto, por exemplo, semelhante ao que a TV Ponta Verde faz.
uma entrevista pode gerar cortes, uma história do interior pode virar série. um quadro pode nascer exclusivamente para o digital e depois chegar à televisão, criando inclusive conteúdos Exclusivo para o Aplicativo Mais Gazeta
A Gazeta possui uma estrutura de comunicação que poderia fazer essa integração de maneira muito mais agressiva.
A saída da Globo também trouxe uma oportunidade durante 50 anos, a associação com a Globo era parte fundamental da identidade da TV Gazeta, agora, isso não existe mais. e talvez esse seja o maior desafio — e também a maior oportunidade — da emissora.
A Gazeta precisa deixar de ser lembrada apenas como "a antiga afiliada da Globo", Precisa construir uma identidade própria, uma televisão que não seja definida pelo que perdeu, mas pelo que consegue produzir.
A programação de 2026 já mostra alguns movimentos nessa direção, especialmente no jornalismo, esporte e cobertura de grandes eventos. A emissora também anunciou novos projetos e integração de conteúdos.
Mas um ano depois da ruptura, ainda parece existir uma etapa importante pela frente: consolidar uma grade que seja reconhecida pelo público independentemente da antiga parceria.
O que a Gazeta precisa melhorar?
A resposta não está necessariamente em colocar mais programas no ar. está em criar programas melhores e mais identificáveis.
A emissora poderia investir em:
maior aproveitamento do enorme acervo histórico da própria emissora.
A Gazeta tem uma vantagem que nenhuma emissora recém-chegada consegue comprar: 51 anos de histórias, imagens, personagens e memória, esse acervo pode ser transformado em conteúdo, até para o Mais Gazeta.
E há outro ponto: inovação
Há pouco mais de um ano, a própria emissora apresentava planos relacionados à TV 3.0, novas tecnologias e maior interatividade com o público.
Mas tecnologia, por si só, não resolve uma grade de programação.
O telespectador não vai mudar de canal apenas porque a imagem ficou melhor.
Ele muda porque encontrou algo que deseja assistir. é aí que está o verdadeiro desafio da TV Gazeta.
Uma Nova Rede?
A única grande viável pra o porte da emissora Alagoana era a Band, mas por ter optado em esperar sair no STF um resultado de um processo de uma volta pra Globo, a emissora paulista fechou as conversas e as portas.
Só Restou a RedeTV! que com ela, é melhor ser independente, mas existe um norte, aliás dois
TV Jovem Pan - a Emissora que me refiro é a da TV Aberta, e não a News. Essa também ganhou uma ex afiliada do Oeste paulista recentemente, a TV Fronteira, e tá se dando bem como afiliada, a própria Pan Aberta já Informou que vai diversificar a Grade pra ser competitiva com novelas e programas de entretenimento, provavelmente até filmes vai rolar ou seja, seria uma boa investir na emissora que já tem pelo menos uma afiliada, que tá interessada em fazer televisão de qualidade, e que também tem uma ex Globo como afiliada.
CNN Brasil - Aí já é Jornalismo Puro, a Emissora de TV Fechada que também tá em canais Fast quer entrar na TV Aberta mas por meio de Retransmissoras e Afiliadas é uma ótima opção se a Gazeta quiser seguir apenas no segmento Jornalismo
51 anos: celebrar, mas também se reinventar
A TV Gazeta chega aos 51 anos com uma história que não pode ser ignorada, foi pioneira, ajudou a construir a televisão alagoana e formou profissionais que atravessaram gerações. A própria história da emissora registra sua importância na implantação de uma televisão produzida em Alagoas e sua expansão tecnológica ao longo das décadas. Mas aniversário também é momento de olhar para frente.
O primeiro ano sem a Globo mostrou que a Gazeta conseguiu manter sua operação e ampliar sua produção local. Agora começa uma fase mais difícil. Construir uma televisão que não dependa da lembrança daquilo que ela foi.
A Gazeta não precisa tentar ser uma nova Globo, Precisa descobrir o que somente uma TV Gazeta de Alagoas pode ser. e talvez esse seja o verdadeiro desafio dos próximos 51 anos.