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Uma pesquisa desenvolvida pelo físico alagoano Matheus dos Santos Farias aproxima a matemática de novas possibilidades de investigação na área da saúde. O pesquisador criou uma formulação matemática capaz de prever como o tamanho de nanopartículas de ouro evolui ao longo do tempo, conhecimento que poderá auxiliar estudos futuros envolvendo tecnologias voltadas ao câncer de próstata.
Natural de Arapiraca e criado em Girau do Ponciano, no Agreste de Alagoas, Matheus desenvolve o trabalho no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, ligado à Universidade de São Paulo (IPEN/USP). A pesquisa deu origem ao chamado Modelo Padrão Farias (MPF), que utiliza uma equação diferencial para representar o crescimento e as mudanças no diâmetro dessas partículas.
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A proposta é permitir que pesquisadores simulem diferentes condições de formação das nanopartículas antes de avançar para novas etapas experimentais. Esse tipo de previsão pode ajudar no planejamento de investigações científicas que envolvem nanotecnologia e possíveis aplicações médicas.
Pesquisa abre caminho para novos estudos
Uma das perspectivas do trabalho está relacionada à nanobraquiterapia, abordagem que investiga o uso de materiais em escala nanométrica em estratégias de tratamento localizado, incluindo pesquisas com nanopartículas radioativas.
Apesar do potencial científico, o modelo matemático ainda está na fase de pesquisa e não representa um tratamento disponível para pacientes com câncer de próstata. A possibilidade de aplicação na medicina depende de estudos adicionais e de validação experimental.
O projeto reúne conhecimentos de física teórica, física médica, matemática, química, biomatemática, nanotecnologia e computação. A pesquisa também contou com a colaboração de Emmanuel Agunloye, vinculado à University College London (UCL), no Reino Unido.
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De dificuldades na escola à pesquisa científica
A trajetória de Matheus também chama atenção pela mudança na relação com os estudos. Segundo o pesquisador, a matemática foi uma dificuldade durante a infância, quando chegou a enfrentar problemas até mesmo com as operações básicas.
O apoio da madrinha, Ângela, foi importante nesse período. Anos depois, a disciplina que parecia um obstáculo passou a fazer parte central de sua formação e de seu trabalho científico.
Matheus também reconhece a influência de professoras que acompanharam sua vida escolar, entre elas Rita, do Ensino Fundamental I, Amanda, de Matemática, e Márcia, de Ciências.
Para ele, a experiência demonstra que o conhecimento pode ser construído com dedicação e persistência, mesmo quando o começo é difícil.
Apoio à ciência e reconhecimento da pesquisa
O pesquisador destaca ainda a importância da bolsa recebida da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que contribuiu para o desenvolvimento de sua trajetória acadêmica.
O trabalho também está relacionado a um pedido de patente registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), referente a um processo de controle preditivo da síntese de nanopartículas metálicas.
A pesquisa de Matheus coloca um cientista com raízes no interior de Alagoas em uma área que conecta cálculos matemáticos, simulações computacionais e investigação biomédica. Os próximos avanços dependerão da continuidade dos estudos e da comprovação experimental dos resultados, etapa fundamental para avaliar possíveis aplicações futuras na área da saúde.
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