Sob pressão dos aumentos nas mensalidades escolares e de cursos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial da inflação no Brasil, registrou uma variação de 0,25% em fevereiro, após ter atingido 0,21% em janeiro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 11 de março. Apesar do aumento, essa é a menor taxa para o mês de fevereiro desde o ano 2000, quando o índice foi de 0,13%. No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa chegou a 4,01%, abaixo dos 4,19% registrados no ano anterior, aproximando-se do centro da meta do governo, que é de 4%. Nos dois primeiros meses deste ano, o IPCA acumulou uma alta de 0,46%, registrando a menor inflação já registrada no período em toda a série histórica do IBGE, que teve início em 1980. Até agora, a menor taxa para janeiro e fevereiro havia sido registrada em 2018, com 0,61%.
A inflação moderada no início deste ano deve levar o mercado a considerar novos cortes na taxa básica de juros, à luz dos temores de uma recessão global e de uma desaceleração da economia brasileira. O grupo "Educação" teve a maior influência na inflação do mês de fevereiro, com uma variação mensal de 3,70% e um impacto de 0,23 ponto percentual no IPCA. Os aumentos habituais nas mensalidades escolares no início do ano letivo, particularmente nos cursos regulares (4,42%), contribuíram significativamente para esse resultado.
No mês de fevereiro, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco apresentaram aumento de preços, com destaque para os custos educacionais. O grupo "Alimentação e Bebidas" desacelerou para 0,11%, com uma queda sustentada nos preços das carnes (-3,53%), que já haviam recuado 4,03% em janeiro. O grupo "Transportes" registrou deflação (-0,23%), após uma alta de 0,32% em janeiro, devido a quedas nos preços da gasolina (-0,72%) e passagens aéreas (-6,85%). No grupo "Habitação", a queda foi impulsionada principalmente pelos preços da energia elétrica (-1,71%), devido à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, eliminando a cobrança adicional.
Quanto ao impacto do aumento do dólar, o gerente da pesquisa do IBGE observou que ainda não havia reflexos claros no IPCA de fevereiro, indicando que a transmissão desse efeito costuma levar tempo para se manifestar. A alta do dólar em fevereiro acumulou 4,57%, encerrando o mês a R$ 4,48. Em março, a moeda dos EUA continuou a subir, atingindo cerca de R$ 4,70, acumulando um aumento de mais de 16% no ano.
Para 2020, os economistas das instituições financeiras projetam uma inflação de 3,20%, segundo a pesquisa Focus mais recente do Banco Central. A meta de inflação para este ano é de 4%, ligeiramente inferior à de 2019. A meta é considerada cumprida se a inflação oscilar entre 2,5% e 5,5%. O Banco Central pode aumentar ou diminuir a taxa básica de juros, atualmente em 4,25%, para atingir essa meta. Em um comunicado no início do mês, o Banco Central sugeriu que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderia reduzir novamente a taxa de juros como forma de conter uma desaceleração ainda mais acentuada da economia brasileira, devido ao impacto do coronavírus.
No que diz respeito aos índices regionais, apenas a região metropolitana do Rio de Janeiro apresentou deflação em fevereiro (-0,02%). A maior taxa de inflação foi registrada na região metropolitana de Fortaleza (0,80%), seguida por Aracaju (0,66%). Em São Paulo, a taxa de inflação foi de 0,23%.
Por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se aplica às famílias com rendimento entre um e cinco salários mínimos, registrou um aumento de 0,17% em fevereiro, depois de ter alcançado 0,19% em janeiro. Essa também é a menor taxa para o mês de fevereiro desde 2000, quando o índice ficou em 0,05%. No acumulado do ano, o INPC atingiu 0,36%, e nos últimos 12 meses, registrou um aumento de 3,92%, abaixo dos 4,30% observados no ano anterior.