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| Cena de A Volta pela Estrada da Violência |
O projeto deste filme começou a tomar corpo num encontro casual, no Rio de Janeiro, entre seu idealizador, Aécio de Andrade, e José Wanderley Lopes da Caeté Filmes do Brasil, que montava seus documentários produzidos em Alagoas no Estúdio Souza Júnior.
Aécio Florentino de Andrade nasceu em 1931 em Jequié na Bahia e foi o ator Gharles Florentino, que em 1958 atuou como galã do seu primeiro filme (também foi o produtor), Juventude sem Amanhã. Era dele a Kratex Cinematográfica.
Foi numa dessas viagens ao Rio, em 1971, que Wanderley ouviu de Aécio sua intenção de filmar A Longa Volta pela Estrada da Violência, título provisório.
Após os acertos iniciais, Wanderley apresentou Adnor Luna Pitanga a Aécio, que o indicou como assistente de direção.
Um mês depois do primeiro contato, duas kombis já chegavam a Alagoas com os equipamentos para o início da produção.
José Wanderley, em depoimento para o excelente documentário Memórias de uma Saga Caeté (agosto de 2012), de Pedro da Rocha, revelou que o dinheiro para iniciar a produção foi obtido correndo o pires entre amigos e que mesmo assim pouco arrecadou. Ficou devendo metade da produção, que foi pago parceladamente em um ano, após se desfazer de parte do seu patrimônio (um terreno e uma casa).
Santana do Ipanema foi a principal locação, por contar com o apoio do prefeito Adeildo Nepomuceno e por ter o agricultor Paulo Ferreira, amigo de Wanderley, oferecido a Fazenda Lagoa do Mato para as filmagens. Os outros cenários foram: Usina Brasileiro, em Atalaia – AL, Maceió e Pilar.
O longa-metragem de 74 minutos de duração, orçado em 100 mil cruzeiros, traz em seu enredo os tradicionais conflitos entre “coronéis” e sertanejos num ambiente de seca, gerando crimes, vingança, cangaço e injustiças. Lugar comum em vários filmes sobre o Nordeste.
A pré-estreia nacional do filme, numa sessão especial, aconteceu no cinema São Luiz, em Maceió, no dia 25 de setembro de 1971, um sábado pela manhã, com a presença do governador Afrânio Lages. Dias depois, em 3 de outubro, foi apresentado ao público alagoano.
Dias após o lançamento em Maceió, o diretor Aécio de Andrade, em entrevista a Miriam Alencar do Jornal do Brasil, disse que filmou “em condições não privilegiadas, porque a produção é de empresa alagoana, que não recebeu qualquer auxílio oficial. O filme está orçado em 100 mil cruzeiros, conseguidos com a adesão de mais seis produtores associados, recurso usual para quem quer produzir independente de auxílios oficiais”.
Caeté Filmes do Brasil Ltda e Kratex Produtora Cinematográfica Ltda lideraram os produtores associados: Os outros foram Aécio de Andrade, Sebastião Ferreira, Guilherme Barreto, Pedro Ferreira Lima, Arnaldo Bastos Santos, Paulo F. de Andrade e Francisco M. de Oliveira.
A produção executiva ficou a encargo de José Wanderley Lopes e a direção de produção foi exercida por Arnaldo Bastos Santos e Guilherme Barreto.
Adnor Pitanga, que classificou o filme como o “Início da produção profissional de cinema em Alagoas” e elogiou os atores locais que foram selecionados, citando Sabino Romariz e José Mendes.
Com Argumento, Roteiro e Direção de Aécio de Andrade, A Volta pela Estrada da Violência contou com Adnor Pitanga e José Mendes como Assistentes de Direção e com Dayse Santos Vale garantindo a Continuidade.
A fotografia do filme foi um dos seus pontos altos, conquistando o Prêmio Coruja de Ouro de 1971, oferecido pelo Instituto Nacional de Cinema (INC). Foi a Melhor Fotografia em Preto e Branco daquele ano. Quem dirigiu a Fotografia foi José de Almeida, que também operou a Câmera com a assistência de Carlos Alberto Totes.
A trilha musical de Pedro Santos, que também foi o regente, utilizou a canção “Formação de Bando” e o “Tema de Geracina”, de Pedro Santos e Marcos Vinicius.
O filme utilizou o seguinte elenco: Margarida Cardoso (Geracina), José Mendes, (Alberto Lopes), Maurino Alves (Calixto), Antônio Carnera, Francisco Santos, Vandik Vandré, Walter Bumucha, Guilherme Barreto, Sabino Romariz, Conrado Veiga, Valberto Souza, César Rodrigues, Márcio Rios, Everaldo Liziário, André Mendes, Cid Nilo Souza, Sidney Souza, Cafuringa, Albérico Aranda, Arnaldo Santos, Antonio Monteiro de Souza, George Leopoldino, Valdomiro Gomes, José Raimundo, Pe. Alberto Oliveira, Luiz Roberto Magalhães e Eugene Mendes.
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| Aécio de Andrade dirige filmagem de A Volta pela Estrada pela Estrada da Violência |
A presença dos atores e equipes de produção nas locações ainda hoje é lembrada pelos moradores dos municípios onde foram colhidas cenas do filme, principalmente os de Santana do Ipanema.
Fábio Campos, um santanense que colaborou com o filme, lembra de alguns episódios que revelam as dificuldades nas filmagens.
A cena em que Geracina chega à cidade puxando um jegue carregando o filho morto num caçuá estava prevista para ser numa rua deserta. Não deu: a meninada curiosa invadiu a cena. Percebendo que não conseguiria as condições ideias, Aécio de Andrade resolveu incorporar os figurantes. Argumentou que daquela forma acena era mais autêntica. Filmou novamente com a presença do público.
Ainda com o “morto” no caçuá, um dos figurantes (Tonho Baleia) se aproximou, fez cara feia e tapou o nariz ao ver o “defunto”. Muita gente que viu a cena elogiou o desempenho deste figurante. Na verdade, o realismo foi conseguido ao se usar sangue de boi para dar autenticidade aos ferimentos e como entre a maquiagem e a filmagem houve demora, o sangue perdeu a sua validade.
Em outra cena, Zé de Tatá, um dos jagunços, foi “morto” em combate após ser atingido por um tiro, mas, na empolgação e querendo aumentar a sua participação no filme, continuou “vivo”. Só aceitou a sua “morte” quando o diretor gritou que ele estava “morto”.
O filme foi exibido nas salas dos cinemas de quase todas as capitais do país. Em 10 de junho de 1974, o Diário de Pernambuco anunciou do filme no Cinema Moderno em Recife. Depois ainda foi mostrado no Cinema de Arte do Cine Coliseu no domingo, 11 de agosto de 1974. A Censura era 18 anos. Permaneceu em Recife até 13 de agosto aquele ano.
Adnor Pitanga, no documentário “Memórias de uma saga Caeté”, ao destacar o pioneirismo do filme em Alagoas explicou a importância histórica dessa produção:
“É um conceito no cinema como negócio que um filme existe quando é lançado, enquanto ele não é lançado ele não cumpriu todo o ciclo de um filme, profissionalmente falando, percorre. Esse filme correu esse percurso porque foi lançado comercialmente. Historicamente o filme cumpriu, e muito bem, essa etapa, ele fez o lançamento comercial nas cidades mais importantes do Brasil — Rio, São Paulo e nas capitais todas. Isso é muito relevante, porque, como eu disse, marca o início da produção profissional de cinema em Alagoas”.
Assista o Filme Aqui:
Trecho da Matéria Publicado em 4 de outubro de 2021 por Edberto Ticianeli no site historiadealagoas.com.br