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Com o fim dos combates, em 1694, em que os portugueses liderados pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho derrotaram o Quilombo dos Palmares, a área ocupada foi dividida em sesmarias e distribuída entre os vencedores.
A Domingos Jorge Velho foi prometido seis léguas de terras em quadra, na fronteira d0s Palmares. Escolheu o local do planalto que funcionou como ponto de observação de suas forças e mandou erguer a primitiva igreja de Nossa Senhora das Brotas. Entretanto, em 1703 sua viúva, Heronina Cardim Froes, ainda cobrava a D. Pedro II (o rei de Portugal) a doação oficial das terras, que já estavam ocupadas e onde faleceu em 1700 o seu fundador.
Na solicitação da cessão oficial, o requerimento revela mais precisamente a área que o bandeirante havia escolhido, começando nos limites de Diogo Soares, no tabuleiro da Lagoa do Sul (Manguaba), regado pelos rios Paraíba Grande, Satuba e Mundaú, com frente a esse tabuleiro na Boca da Mata.
Em 1715, o pedido foi refeito e desta vez o governador da Capitania de Pernambuco, em 6 de maio de 1716, assinou Carta de Sesmaria de seis léguas de terras da área conquistada dos Palmares “isenta de pensão, exceto o dízimo a Deus — e que povoará em cinco anos”.
Assim surgiu o Arraial dos Palmares, núcleo que deu início ao povoamento do atual município de Atalaia.
A partir de 28 de abril de 1726 se encontram registros sobre a Vila do Arraial dos Palmares ou Vila Nova do Arraial dos Palmares, mas não se tem a data em que essa promoção ocorreu, considerando que numa relação das vilas da Capitania enviada por Duarte Pereira ao Rei em 7 de setembro de 1730, não consta a dos Palmares. Outros documentos, de 1749, também não a cita. Volta a aparecer em 1754, quando a Câmara das Alagoas “convida Gabriel Fernandes e Simão dos Santos para tirar suas cartas de Juiz e Escrivão da vintena do Arraial da Vila Nova dos Palmares”.
Aminadab Valente, em seu livro “Atalaia: Sua História“, informa que documentos sobre a população da Capitania entre os anos de 1774 e 1790, publicados nos Anais da Biblioteca Nacional, situam a ereção da Vila na data de 1º de fevereiro de 1764, “não positivando se foi criada ou instalada”.
Com o passar dos anos, os habitantes solicitaram ao rei que o local fosse denominado Vila Real de Bragança, em homenagem ao monarca português. Nesse período, o arraial também ficou conhecido como de N. Sª das Brotas.
Segundo alguns historiadores, Sua Alteza atendeu ao pleito e elevou o arraial à categoria de vila, mas quis homenagear ao Visconde de Atalaia, nobre do Condado de Citarem em Portugal, nominando o lugar como Vila de Atalaia.
A Idéia Geral da População da Capitania de Pernambuco fixa a data da criação da vila em 1° de fevereiro de 1764, passando a ser a quarta vila de Alagoas. Atalaia não tem data de emancipação e sim data de criação.
Entretanto, há estudos que afirmam que a vila foi criada antes desta data, em 1727, com o nome de Vila Real de Bragança. Os defensores desta data encontram sustentação no Dicionário Geográfico Brasileiro, de Saint Adolphe. Há ainda quem afirme que a elevação à vila se deu no tempo em que Manoel Gouveia Álvares, 10° Ouvidor de Alagoas (1762-65), administrava esta parte da capitania pernambucana.
Por muitos anos, antes e depois da proclamação da independência do Brasil, foi o município um dos mais importantes e ricos empórios do comércio da antiga província.
Depois desta época de prosperidade, isto é, depois de 1831, tornou-se centro de atrocidades contra os portugueses, detentores das maiores fortunas e das melhores casas de comércio. Denominavam os portugueses de puças, corcundas e marinheiros.
Em consequência de lutas políticas, foi assassinado o Vigário da freguesia, padre José Vicente de Macedo. Sua influência política era tão expressiva que em 1834 chegou a ser eleito deputado geral, conseguindo o mesmo para seu coadjutor, padre Inácio Joaquim da Costa, e para seu sacristão, Francisco Remígio de Albuquerque e Melo.
Tantos foram os assassínios cometidos no local que os habitantes foram se retirando para outros pontos, enfraquecendo o comércio e trazendo decadência a Atalaia.
Não é conhecida a data exata da criação da freguesia de Atalaia. Geralmente é tida como 1763, data que o trabalho Idéia da População da Capitania de Pernambuco, publicado na Revista do Instituto Histórico de Alagoas, n° 12, de 1927, dá como positiva, e que deve considerar-se como verdadeira em face da antiguidade do documento.
Em 1749 já existia a Missão de Nossa Senhora das Brotas, padroeira do município. Atualmente a paróquia está subordinada à Arquidiocese de Maceió. Até 23 de abril de 1833, fez parte da comarca de Alagoas, quando foi constituída pelo Conselho do Governo da Província a sua comarca, abrangendo as vilas de Atalaia; Assembléia, hoje Viçosa; e Imperatriz, hoje União dos Palmares.
Em 1853 recebeu de volta o termo da vila de Palmeira dos Índios, que havia perdido em 1838, quando passou para a de Anadia. Perdeu o termo de Imperatriz, e bem assim o de Assembléia, feitos comarcas em 1854.
Em 1859, pela Lei n° 359, de 11 de julho, teve o termo da vila do Pilar, desmembrado da comarca de Alagoas. Readquiriu o da vila de Assembléia em 1870; em 1872 perdeu o do Pilar, elevado a comarca.
Em 1875, a Resolução n° 681 tirava-lhe o de Assembléia, erigido em comarca, o que não se efetuou por ser a Resolução revogada em 1876 pela Lei n° 733. Em 1890 foi-lhe acrescido o termo da vila de Paraíba, então criada, e o de Atalaia.
Em 1931, pelo Decreto n° 1 500, teve novamente o termo do Pilar, com a extinção dessa comarca, perdendo-a quando foi restabelecida, em 1934. Segundo o quadro da divisão administrativa em vigor, fixado pela Lei n° 1 785, de 5 de abril de 1954, o município é composto de dois distritos: Atalaia e Sapucaia.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Atalaia anteriormente a 1762. Elevado à categoria de vila com a denominação de Atalaia, entre os anos de 1762 e 1765. Elevado à condição de cidade com a denominação de Atalaia, pelo decreto estadual nº 88, de 15 de março de 1891.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisão territorial datada 1º de julho de 1950.
Pela lei nº 1785, de 5 de abril de 1954, é criado o distrito de Sapucaia ex-povoado e anexado ao município de Atalaia.
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de distritos: Atalaia e Sapucaia.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
Publicado em 11 de abril de 2016 por Edberto Ticianeli no site historiadealagoas.com.br
Fonte: IBGE