| Foto: Eduardo Galeno / Divulgação |
Além da operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (20), o cantor e ex-deputado federal Sérgio Reis também é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal(PCDF).Os
dois inquéritos apuram ameaças feitas por ele à democracia e a
autoridades, e tiveram início após vazamento de um áudio nas redes
sociais
O inquérito da PCDF foi aberto na segunda-feira (15), pelo delegado
Leonardo de Castro Cardoso, do Departamento de Combate à Corrupção e ao
Crime Organizado (Decor). Segundo a corporação, a investigação apura
"suposta associação voltada para o cometimento de crimes no território
do Distrito Federal em manifestações".
Em um áudio que circula nas redes sociais (ouça acima), Sérgio Reis convocou protestos em Brasília para promover o fechamento de estradas e sitiar a cidade, com invasão do Supremo Tribunal Federal (STF) e derrubada de ministros.
Em um dos trechos, Sérgio Reis fala em invadir o Senado se o impeachment de ministros do Supremo não for aprovado. "Se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É isso que você quer saber? É assim que vai ser. Pronto", diz na gravação.
O cantor foi desautorizado por lideranças dos caminhoneiros e do agronegócio após a divulgação do áudio.
A ação desta sexta-feira foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, a pedido da subprocuradora Lindôra Araújo, da Procuradoria-Geral da República. Ao todo, foram expedidos 13 mandados.
Os dez alvos da operação são:
O ministro Alexandre de Moraes também determinou que os investigados, com exceção do deputado federal Otoni de Paula, sejam proibidos de se aproxima da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Também não podem participar de redes sociais, se comunicar com manifestantes e nem participar de eventos em ruas e próximos a monumentos da capital.
Ao justificar a medida, o ministro argumentou que ela tem o objetivo de "evitar a prática de infrações penais e preservação da integridade física e psicológica dos ministros, senadores, servidores ali lotados, bem como do público em geral que diariamente frequenta e transita nas imediações. A presente restrição somente não se aplicará ao deputado federal Otoni Moura de Paulo Júnior, em razão da necessidade do exercício de suas atividades parlamentares".
Após a operação, o deputado Otoni de Paula disse, nas redes sociais, que "não há nada melhor que não dever nada a ninguém" e chamou Moraes de "tirano".
"Não tenho o que temer, pois nunca incitei a população contra as instituições basilares da República", afirmou. "Mas sou e continuarei sendo crítico ao comportamento de ministros do STF", emendou.