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Lula enfrenta crise com EUA, mas mantém protagonismo na ONU

Por: Everson Felipe
Publicado em 23/9/2025
Ricardo Stuckert/PR


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursará nesta terça-feira (23) na abertura da 79ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Esta será a décima vez em que o petista cumpre a tradição diplomática de representar o Brasil na abertura do evento, mantida desde a década de 1950.

Diferentemente de anos anteriores, Lula chega ao palco mais importante da diplomacia mundial em meio ao que especialistas consideram a pior crise com os Estados Unidos em mais de dois séculos de relações bilaterais. O impasse teve início após o presidente norte-americano, Donald Trump, impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, além de sancionar integrantes do governo e até o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. As medidas foram associadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF.

Lula reagiu com firmeza, rejeitando a pressão de Washington. Em pronunciamento em julho, classificou a postura americana como “chantagem inaceitável” contra as instituições brasileiras, baseada em informações falsas sobre o comércio entre os dois países.


Brasil em posição ativa no cenário internacional

Apesar do desgaste com os EUA, analistas avaliam que o Brasil não chega isolado à ONU. Segundo Carolina Pedroso, professora de Relações Internacionais da Unifesp, Lula mantém uma política externa ativa, reforçando alianças nos Brics e estreitando laços com países como a França.

Paulo Velasco, professor da Uerj, destaca que o país segue visto como um ator relevante no multilateralismo. “O Brasil tem tradição de protagonismo nesses fóruns. O único ponto de constrangimento hoje é a relação desgastada com os Estados Unidos”, afirmou.


Agenda de encontros bilaterais

Durante sua permanência em Nova York, Lula deverá participar de diversas reuniões paralelas. Interlocutores do governo afirmam que há cerca de 30 pedidos de encontros bilaterais, incluindo um solicitado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Essa seria a segunda reunião entre ambos desde o início do atual mandato, após tentativas frustradas em encontros do G7.

Até agora, estão confirmadas reuniões com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e com o rei Carl XVI Gustaf e a rainha Sílvia, da Suécia. Lula também se encontrou nesta segunda-feira (22) com o diretor-executivo do TikTok, Shou Zi Chew.


Expectativas positivas

Especialistas apontam que as conversas laterais podem impulsionar negociações importantes, como o acordo entre União Europeia e Mercosul. “Há expectativa de avanços, especialmente após recentes diálogos de Lula com líderes europeus, como o chanceler alemão Olaf Scholz”, observou Velasco.

Ele ressalta ainda que o Brasil tem reforçado sua presença no Sul Global, liderando discussões no Brics e no G20, além de se preparar para sediar a COP30. “O país chega com visibilidade internacional, mesmo enfrentando um dos piores momentos da relação com os Estados Unidos desde a ditadura militar”, avaliou.


Distanciamento de Washington

Um gesto simbólico reforça a distância atual entre Brasília e Washington. Diferentemente de 2023, quando Brasil, Espanha e EUA organizaram juntos um encontro paralelo sobre democracia, este ano os norte-americanos ficaram de fora. O evento, marcado para quarta-feira (24), será conduzido por Lula e pelo premiê espanhol Pedro Sánchez, com apoio de Chile, Colômbia e Uruguai.


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