![]() |
| Reprodução |
Depois de anos de estabilidade com a Globo, a TV Gazeta de Alagoas está prestes a redefinir sua trajetória. A partir de 1º de novembro de 2025, a emissora iniciará uma nova parceria com a Rede Bandeirantes (Band) — uma mudança estratégica que promete sacudir o mercado da televisão local.
Do rompimento ao recomeço
A mudança da Gazeta para a Band não ocorreu de forma repentina. O rompimento com a Globo foi antecedido por disputas judiciais e negociações que se estenderam ao longo dos últimos dois anos.
Em 2023, a Rede Globo optou por não renovar o contrato de afiliação com a Gazeta. Desde então, os bastidores foram marcados por impasses legais e estratégias de transição, até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou um prazo para que a Globo buscasse nova afiliada em Alagoas — abrindo espaço para o desfecho.
Com esse cenário, os executivos da Gazeta aceleraram as conversas com a Band, que avançaram com rapidez até se concretizarem em formalização. Agora, a emissora entra em um período de reestruturação para ajustar-se aos padrões e demandas da nova rede.
O que muda na tela — e nos bastidores
A nova fase da Gazeta vai além de uma simples troca de logotipo: ela envolve ajustes aprofundados em jornalismo, programação e estrutura comercial. Alguns pontos de atenção já são visíveis:
Programa e identidade jornalística: será necessário adaptar o jornalismo local ao padrão Band, que pode demandar novos formatos, vetores visuais e diretrizes editoriais distintas das da Globo.
Conteúdo local como ativo estratégico: há forte aposta da emissora em reforçar produções regionais — noticiários, reportagens e atrações feitas em Alagoas — como diferencial competitivo
Negociações comerciais: contratos com anunciantes serão revisados para alinhar valores, formatos e pacotes de mídia no novo cenário.
Concorrência ampliada: com a chegada de uma nova rede nacional ao estado, o ambiente televisivo alagoano poderá ganhar dinamismo e disputa mais acirrada por audiência e anunciantes.
Repercussão e desafios no cenário local
Esse movimento não afeta apenas a Gazeta: ele realinha o tabuleiro regional da comunicação. Para o público, significa mais variedade de opções e uma mudança no tipo de conteúdos locais vinculados à rede nacional. Para os concorrentes locais, representa uma nova peça no jogo de audiência.
Entretanto, os desafios também são grandes. A transição exige investimentos altos, aceitação do público e tempo para que a nova identidade se consolide. Há riscos de perdas momentâneas de audiência durante o período de adaptação, resistência de anunciantes habituados à antiga configuração e a necessidade de reeducar o público para os novos formatos.
O que esperar nesse novo capítulo
A partir de novembro, será possível acompanhar os primeiros sinais concretos dessa virada: novas vinhetas, mudanças visuais, estreias de programas ou quadros alinhados à Band e as primeiras produções locais concretizadas sob a nova gestão.
Mais do que uma simples troca de afiliada, trata-se de um reinício ambicioso, que busca unir raízes regionais com o alcance nacional. Se for bem-sucedida, essa transição pode marcar um ponto de virada no rádio e na TV de Alagoas — tanto para a Gazeta quanto para a própria Band que não tinha afiliada no estado desde que foi trocada pela antiga TV Alagoas hoje Ponta Verde, pelo SBT, em 2007.