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Mendonça abre nova frente ao cobrar a Presidência por cota de gênero e cor no STF

Por: Everson Felipe
Publicado em 14/11/2025
Reprodução


Em uma ação que vai além da mera formalidade, o ministro André Mendonça solicitou ao presidente Lula informações sobre o processo de indicação para a vaga aberta no STF — e destacou, neste contexto, a exigência de que a futura nomeada seja uma mulher negra. A iniciativa marca um momento singular na pauta das instituições jurídicas: a articulação explícita de perfil étnico-racial e de gênero ganha contornos oficiais, e não apenas discursivos.

A ação partiu após o protocolo, por parte de um coletivo formado por mulheres negras juristas, de um mandado de segurança preventivo reivindicando que a vaga no STF seja ocupada por alguém que represente esse recorte. A partir daí, Mendonça, como relator do caso, dirigiu-se à Presidência para que ela apresente os critérios adotados na seleção, os potenciais candidatos e os motivos que levam à escolha — ou não — de uma mulher negra para a composição da Corte.

Mais do que uma simples formalidade, o pedido coloca em evidência duas tensões centrais no ambiente institucional. A primeira é entre a tradição de indicações e as novas exigências de representatividade: o STF, por décadas dominado por homens brancos, agora vê reivindicações de que a diversidade — de gênero, de raça — de fato se reflita no mais alto tribunal do país. A segunda é o papel da Presidência e do Executivo no atendimento ou não dessas demandas: o documento enviado ao presidente Lula evidencia que, para alguns atores, não basta que haja discurso favorável à diversidade — há uma cobrança por transparência e por ações concretas, contabilizando perfis, recortes e histórico.

Para o governo, esse tipo de cobrança tem consequências práticas importantes. A resistência em atender à expectativa de nomear uma mulher negra — ainda que seja uma exigência moral óbvia para muitos — pode gerar desgaste político, reforçar narrativas de exclusão e suscitar questionamentos sobre legitimidade institucional. Por outro lado, atender à demanda abre caminho para que o STF avance não apenas em representatividade simbólica, mas em credibilidade perante grupos historicamente sub-representados.

Mendonça, ao fazer o pedido, atua como facilitador desse debate institucional: ao cobrar transparência, ele coloca o Executivo em posição de explicitar seus critérios, o que, na prática, pode ampliá-los ou modificá-los. A iniciativa também sugere que o processo de indicação não é interno ao Palácio, mas permeado por pressões externas de caráter jurídico e social — e que essas pressões podem moldar o desfecho.

Em resumo, a iniciativa marca um momento de inflexão: a indicação para o STF não é mais apenas uma escolha técnica ou política tradicional — ela se transforma em litmus test da diversidade institucional. Nesse contexto, André Mendonça atua como porta-voz de uma mudança de paradigma, e o presidente Lula e sua equipe terão de responder se essa nova lógica vai de fato se traduzir em nomeação ou permanecer no campo simbólico.


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